Com leitura lúdica, escritora maranhense aborda abuso sexual infantil em livro para crianças

Publicado em: 18/05/2022 às 08h20

Livro ‘Diário Mágico: um segredo para contar’ foi publicado pela pedagoga e especialista em educação inclusiva, Sharlene Serra e aborda o tema na visão de uma menina. O g1 reuniu uma lista com telefones úteis que são canal direto para denúncias de casos de abuso sexual.

Sharlene Serra, escritora e pedagoga maranhense, escreveu livro que aborda a temática do abuso seuxal. — Foto: Arquivo pessoal

Sharlene Serra, escritora e pedagoga maranhense, escreveu livro que aborda a temática do abuso seuxal. — Foto: Arquivo pessoal

Sejam estranhos, parentes mais próximos ou até amigos da família, qualquer pessoa é passível de praticar abuso sexual contra crianças e adolescentes. Por isso, para lembrar a importância de debate e combate do tema, foi instituído, em 18 de maio, o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.

No Maranhão, relatos de casos de abuso sexual sofridos por uma crianças, se tornaram incentivo para a publicação de um livro infantil que aborda o tema.

Escrito pela pedagoga e especialista em educação inclusiva, Sharlene Serra, o livro ‘Diário Mágico: um segredo para contar‘, aborda a história de uma menina possui um diário ‘megamoderno’, conta para ele detalhes da sua vida e ele se torna seu confidente.

“Eu escrevi o livro porque teve uma criança que viu em mim um diário, sentiu confiança para contar o que aconteceu com ela, um caso de abuso sexual, e eu não poderia ajudar socialmente só aquela criança enquanto o mundo inteiro pede socorro”, relembra.

Ao g1, a escritora explicou que a intenção é que, ao decorrer da leitura, as crianças e adolescentes consigam perceber os sinais do abuso sexual, que em alguns casos, são sutis. Além disso, a ideia é promover a conscientização a respeito do tema e em casos de abuso, fazer com que essas pessoas busquem ajuda.

“A ideia é fazer com que as crianças percebam os sinais e não se culpem, porque o abuso infantil tem muito isso, da criança se sentir culpada pelo abuso que estão sofrendo. Elas vão se proteger, o abuso acontece com mais pessoas conhecidas e não com estranhos”, explica Charlene.

Publicado em 2017 de maneira independente, o livro foi republicado, desta vez, por uma editora do Ceará. Com a nova roupagem, o exemplar ganhou novas páginas páginas, que funcionam como páginas de um diário, dando liberdade para que a criança ou adolescente, possa contar os seus segredos.

“Utilizei a figura do diário porque durante muito tempo ter um era o meu desejo e muitas meninas como eu, usavam ele para confidenciar coisas pessoais. E geralmente, é assim que nós conseguimos chegar a esses casos de abuso sexual infantil”, conta.

Há 11 anos trabalhando com inclusão social, a escritora maranhense é autoria de uma série de livros infantis chamada de ‘Coleção Incluir’. Os exemplares contam com personagens que possuem diferentes tipos de deficiência, com o objetivo conscientizar crianças em relação ao tema.

“Eu como escritora, tive que me desprender da dor de falar do abuso. Porque se você não sente a dor do outro, então o problema é com você. Então, quando eu imagino uma criança sendo vítima, eu sinto dor, eu tive que me desprender para escrever com uma leveza”, explica.

De maneira lúdica e em duas línguas, inglês e em português, a leitura também pode ser voltada para os pais ou responsáveis das crianças ou adolescentes. A ideia é ampliar o conhecimento dessas pessoas a respeito da temática e desta forma, estabelecer um elo maior de confiança entre pais e crianças.

“O carinho nunca vem seguido da palavra segredo. Sem vem seguido disso, é violência. É preciso ensinar para a criança que as vezes, o toque do agressor não é só nas partes íntimas, mas ele pode tocar no cabelo e na nuca mas com segundas intenções”, finalizou.

Como denunciar?

Casos de abusos sexuais e maus-tratos de crianças e adolescentes podem ser denunciados pelas pessoas mais próximas ou desconhecidos aos órgãos públicos competentes. Veja, abaixo, os canais de denúncia:

Conselho Tutelar (São Luís)

  • Centro/Alemanha: Rua Veleiros, S/N – Camboa. Telefone: 99156-5682 / 99153-5557;
  • Itaqui Bacanga: Rua da União, Nº 02 – Vila Bacanga. Telefone: 99109-1113 / 99134-4872;
  • Vila Luizão/Turu: Avenida 21 de junho, 24 – Vila Luizão. Telefone: 9 9108-8734 / 9 9129-0665;
  • Cidade Operária/Cidade Olímpica: Unid. 205 Rua 205 S/E , nº 58, Bairro – Cidade Operária. Telefone: 99156-7231 / 99160-1245;
  • Coroadinho/João Paulo: Rua 13, Quadra 10 , Casa 09 – Filipinho, próximo ao Hotel Pilão. Telefone: 99101-6249;
  • Zona Rural: Rua Machado de Assis nº 01 – Vila Nova República. Telefone: 99109-9529 / 99142-3540;
  • São Cristóvão/São Raimundo: Rua 39, Quadra 40, N 22– Jardim São Cristóvão. Telefone: 99158-9174
  • Cohab/Cohatrac: Rua Sotero dos Reis, nº 09, Bairro – Cohab Anil III. Telefone: 99154-9081 / 99147-4489
  • São Francisco/Cohama: Rua das Limeiras, nº 5, Qd. C, Bairro – Jardim Renascença I. Telefone: 99108-5766 / 99134-8671;
  • Anil/Bequimão: Av. Edson Brandão, 283, Cutim / Anil. Telefone: 99158-7958 / 99143-9290

Disque 100 (Secretaria de Direitos Humanos)

O Disque 100 atende 24 horas, todos os dias, incluindo fins de semana e feriados, em todo o Brasil. Pela internet, as denúncias podem ser feitas pelo aplicativo Direitos Humanos Brasil ou pelo WhatsApp, no número (61) 99656-5008.

A Secretaria de Direitos Humanos recebe denúncias anônimas e encaminha o assunto aos órgãos competentes no município de origem da criança ou adolescente.

Polícia Militar do Maranhão (PM-MA)

O 190 é o número de telefone da Polícia Militar, que deve ser acionado em casos de necessidade imediata ou socorro rápido. O 190 recebe ligações de forma gratuita em todo o território nacional.

Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DPCA)

A DPCA fica localizada na Praça Gonçalves Dias, n° 01, próximo a Rffsa em São Luís. O local funciona das 8h às 18h e o telefone para contato é (98) 3214-8668.

Fonte:  G1 marnhão

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