Congresso tem 30 dias para explicar destino de emendas parlamentares

Congresso tem 30 dias para explicar destino de emendas parlamentares

 

Flávio Dino, do STF, define prazo após bloqueio de bens de políticos.

 

 

Brasília (DF) 10/09/2025 - O ministro Flávio Dino na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que realiza o quarto dia de julgamento dos réus do Núcleo 1 da trama golpista, formado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

© FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNC

O Congresso Nacional tem 30 dias para explicar a destinação de emendas parlamentares. Na decisão publicada nesta terça-feira (14), o ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, fez críticas a irregularidades na aplicação de recursos.

A determinação chega dias depois de Dino ter ordenado o bloqueio de R$119 milhões em bens do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e R$6 milhões do ex-deputado e ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto. Marcello Casal Jr/Agência Brasil

As decisões partiram da suspeita de que os políticos estariam interferindo na destinação de emendas parlamentares sem ter mandato. Flávio Dino citou que a prática “configura-se vício insanável por violação aos princípios da moralidade, legalidade e finalidade”.

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Wilson Dias/Agência Brasil

Na decisão, Dino cobrou explicações de emendas parlamentares na área da saúde, incluindo o uso temporário para pagar despesas de custeio. Ele citou relatórios do DenaSUS, Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde, e da CGU, a Controladoria-Geral da União.

O ministro também cobrou explicações da Advocacia-Geral da União sobre o que está sendo feito para responsabilizar os envolvidos com as irregularidades em emendas identificadas em relatórios da controladoria.

Flávio Dino é relator de ação por descumprimento de preceito fundamental sobre a destinação de emendas parlamentares aos princípios de transparência e rastreabilidade previstos na Constituição.

O chamado “orçamento secreto” – que se refere à indicação de recursos do orçamento sem identificar o parlamentar nem o beneficiário final, está na mira do STF desde 2022.

A Constituição prevê as emendas parlamentares enquanto instrumento que fornece poder a deputados e senadores de indicar a destinação de parte do orçamento da União.

 

 

Edição:
Eliane Gonçalves / Roberta Brito Lopes

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